David Weinberger, comentador de PR e co-autor de Cluetrain Manifesto. "Life after Broadcast" demonstra que o passado foi dominado pela transmissão em directo, sendo que presentemente o panorama alterou.
Social media esta a substituir o modelo já ultrapassado conhecido como broadcasting, ou seja transmissão de informação. Social media não é sobre conteúdo mas sim sobre o contexto. Conteúdo gerado pelo consumidor é importante mas não é único.
Marketing tem perdido ultimamente pelo facto de se apresentar como uma selecção de informação e apresentado de forma corporativo deixando pouco ou nenhum espaço para interacção ou dialogo. David pergunta quando é que marketing se tornou num verbo, algo que se faz às pessoas e não com as mesmas? Forçamos mensagens à audiência (alias, não audiência, pois implica que estão a ouvir) ou melhor ao público, que por si oudeiam está pratica de “informar/obrigar”.
Desde a introdução do telecomando que grande parte dos consumidores têm usufruído do seu direito de simplesmente desligar ou mudar. Há anos que existe uma autêntica guerra no marketing, exemplificado pela própria terminologia utilizada por marketeers – market penetration, strategy, campaign, guerilla, price war, data mining, field agency, influencer, target audience, etc.
As ferramentas de social media concedem o pleno poder ao consumidor de procurar o que quer, quando quer e responder ao conteúdo. Desde de Cluetrain Manifesto que se refere ao Mercado como várias conversas e não comunicação de ponto a ponto – conversas reais, com voz humana e não corporativa, ao contrário de comunicação artificial, pouco transparente e várias vezes fraudulenta.
"Weblogs reflectem o que nos verdadeiramente interessa." Estas diversas conversas, ou informações, podem ser encontradas on-line em locais tais como a Wikipedia, muitas vezes ignoradas pela comissão da Encyclopedia Britannica, uma das razões pelo facto que o futuro da Britannica parece ser desolado. As pessoas escrevem sobre o que querem e os que querem ler que o façam – tão simples – o desenvolvimento de um mercado global composto cada vez mais por nichos.
Blogging não é jornalismo, mas sim uma relação entre os dois. Bloggers escrevem sobre o que leme nos jornais e jornalistas utilizam bloggers como fontes. Mas algo aconteceu pelo meio. A classe editorial composto pelo sexo masculino, convencional, de meia-idade a decidir o que a audiência vai saber, ler e conhecer, vai muito em breve tornar-se extinto. Esta função está-se a tornar menos formal por sites como o digg.com onde a audiência acaba por votar por o que gosta tornando-se mais relevante para… os mesmos. Relevante = importante.
Sites como o da USA Today tentam adaptar o seu modelo ao novo mas acabam por ficar pelo meio, ou seja pode-se votar de forma positive a uma notícia mas não de forma negativo – a democracia acaba por sofrer mais uma vez. Blogging resolve este problema.
Acabamos por ler blogs com muito mais tolerância sendo que percebemos e aceitamos o facto de não serem escritos da mesma forma como media tradicional. Aceitamos erros ortográficos pois reconhecemos que existe uma pessoa real por trás da informação a partilhar a sua paixão, opinião ou simplesmente a relatar algo que lhe irrita profundamente. O objectivo é de partilhar e não procurar reconhecimento como escritores – os links acabam por demonstrar um acto de bondade agradecendo o destino pela informação. Enviam a pessoa para outro local, onde acreditam que se vão enquadrar de melhor forma – tão diferente das barreiras de saída de páginas corporativas.
Finalmente, comunicação P2P ("Person to Person” ao contrario do muito utilizado “Peer to Peer”), é muito maior que marketing onde muitos acreditam que é a nossa forma de retomar o nosso mundo, perdido há muito à autoridade.