Cisco, como muitas outras empresas, presentemente utilizam Second Life para comunicações de B2B sendo que muitos dos utilizadores da comunidade virtual são network engineers. Estes mesmos são clientes da Cisco e a empresa utiliza Second Life para comunicar de forma intensa com os engenheiros.
Para muitos que pensam em Second Life (de forma errada) como um jogo ou até como uma forma de consumidores interagirem numa plataforma dedicada a comunicação e entretenimento estão a perder várias oportunidades. Existem de facto diversas conversas incluindo decisões a ser discutidas que afectam o mundo real.
Cisco tem várias centenas de funcionários em Second Life utilizando a plataforma para desenvolverem user-groups e reuniões incluindo funcionários geograficamente separados por milhares de kms. Organizam sessões para educar os seus clientes e optam por incluir parte a formação de forma virtual incluindo apresentações em PowerPoint, vídeo, e áudio streaming. Organizam eventos que reúnem pessoas do mundo físico com avatars sedeados no mundo virtual – conhecido em Second Life como eventos de “mixed reality”.
O grande valor de Second Life é a oportunidade de interacção instantânea de parte do cliente, explica Christian Renaud, chief architect of networked virtual environments para a Cisco. Ele encontra constantemente clientes em Second Life que querem discutir com ele assuntos diversos ligados à Cisco e os seus serviços. Será o equivalente de encontrar à 10 anos atrás clientes num shopping ou no parque de estacionamento com a diferença que nessa altura nunca ninguém se dirigiu a ele explicando que eram clientes da Cisco e queriam-lhe fazer uma pergunta, sugestão ou até reclamação.
É de facto uma oportunidade unica para parceiros, clientes e funcionários falarem sobre o que de facto é importante para eles num ambiente que acaba por misturar negócios e entretenimento com uma vertente forte de social networking como um blog – mas que acaba por ser muito mais, muito mais mesmo.
Cisco faz parte da Second Life Corporate Business Council, um grupo de 30-40 grandes empresas – muitas concorrentes – utilizando Second Life para negócios. Estas empresas debatam questões pertinentes com a presença em Second Life. Uma delas é a questão de segurança – quando se discute questões confidenciais, como é que se evita que outros tenham acesso a essas informações?
Chris Melissinos, Chief Gaming Officer da Sun Microsystems, também tem reservas quanto à segurança (ou falta dela) especialmente quando existem conversa através de chat e instant messaging – tudo passa pelos servidores da Linden Lab.
Quando se cria um objecto, protótipo ou serviço em 3D, temos a possibilidade de incluir um enumero de pessoas que tem a capacidade de ver o mesmo através de anglos diferentes podendo assim discuti-lo e analisa-lo como nunca antes – tudo em tempo real – uma conversa visual tridimensional? IBM segue os mesmos passos criando projectos inteiros no mundo virtual antes de os lançar no mundo real.
Ainda existem muitas limitações – não se pode importar ainda dados de outros locais mas é uma questão de tempo – como foi o caso de áudio que muito em breve (semanas) os avatars vão estar equipados com a possibilidade de falar através de um simples microfone.
Para facilitar a entrada de um novo funcionário da Cisco no Second Life, o mesmo passa por uma zona que tem avatars, roupa e acessórios para um funcionário típico da Cisco. Para quem está em Second Life desde o início, tudo isto parece mais um assalto corporativo para dominar o mundo (até o virtual!)
Information Week April 26