Por muito que se queira acreditar que podemos viver num mundo virtual, algo acontece que nos relembra a necessidade de viver num mundo real. Afinal é importante ter uma cara associada a uma "personagem" ou avatar.
Mesmo estando no início do desenvolvimento dos mundos virtuais, os utilizadores do Second Life decidiram reunir-se no mundo "real" para conhecer melhor aqueles com quem mantinham uma relação virtual.
Norberto Nuno de Andrade escreve no Mundo Digital [25 Agosto 2007] que os avatars de Second Life decidiram deixar o anonimato e mostrar ao mundo o seu verdadeiro rosto. Tratou-se do primeiro encontro do "orgulho avatar", ou seja "Second Life Pride" - para aqueles que não utilizam o anonimato para viver os seus segredos que jamais partilharam com a restante comunidade, muito menos com o mundo real - amigos, colegas e família - este é provavelmente o primeiro sinal do que podemos esperar para ver a integração do virtual no real num futuro muito próximo.
Num mundo em que podemos alterar tudo, mesmo tudo, em que não é necessário fazer dietas, vestir à vontade da sociedade e temer a partilha das nossas opiniões, o acto de sair de trás do disfarce e dar a cara àqueles com quem já gozamos de uma relação de algum tempo, requer coragem e honestidade. Afinal somos todos pessoas de carne e osso por de trás de cada alter-ego.
O mundo virtual não deverá, nem poderá ser simplesmente para vivermos uma vida dupla pois vai-nos sempre faltar algo. Algo muito importante que nos distingue do próximo – a nossa personalidade e características, sejam elas físicas ou mentais, que nos distinguem de todos os outros.
Será que caminhamos não para uma sociedade mais perversa que reflecte todos os males do quotidiano, ou estamos de facto perante uma viragem abolindo as barreiras criadas que nos tornaram politicamente correctos, repletos de atitudes hipócritas e menos verdadeiras?
Nunca acreditei que a sociedade se estivesse a deteriorar. Que esta nova geração era pior que as anteriores. Na realidade temos que aprender a lidar com o excesso de informação que cada vez mais é controlado pela estrutura social. Os tabus não irão resistir e, a pouco e pouco, iremos viver de forma mais transparente e honesta, o que é assustador, dado que nem todos lidam bem com os seus medos interiores.
Um passo importante para os milhões que sentem a necessidade de viver vidas duplas, escondendo-se por trás de perfis enganosos, avatars "perfeitos" e o ecrã de x polegadas. Bem-vindo ao novo mundo imperfeito