Quando Rupert Murdoch, responsável máximo pela News Corporation, decidiu comprar a comunidade on-line MySpace, não hesitou – $580 milhões foi o suficiente para interferir com as negociações entre a Intermix (antigos detentores de MySpace) e a Viacom (no qual inclui a MTV). Murdoch é a epifania da velha guarda, tipografia para as massas e governante dos céus.
Mas com o tempo apercebeu-se das profundas mudanças que se disseminavam pelo seu Império, sendo que o acréscimo exponencial de comunidades on-line, colocava em risco tudo aquilo que já tinha alcançado.
“A tecnologia está a transferir o poder dos editores, das editoras, do poder instalado e da elite dos média. Agora quem tem o controlo é o povo” afirma Murdoch, “a Internet é a idade de ouro para os média.”
A mudança do antigo modelo cima-para-baixo, um serve para todos, está a ser substituído à velocidade da luz, ou seja da Internet, para entregar à audiência o que quer, quando e onde, e não é fácil de controlar muito menos de aplicar modelos tradicionais de gestão. Um passo errado e as forças de ruptura que construíram a comunidade virar-se-ão contra o feiticeiro.
Descrevem MySpace como uma festa 24/7 com paginas “pimped” (estilizadas pelos próprios utilizadores) fazendo a tão aclamada jovem irreverente MTV parecer serenamente fora de prazo. Os seus principais valores são os que os próprios utilizadores definem como tal e encontrar uma forma de dominar a “besta” trará consequências imprevisíveis. Que frustração que é ter uma comunidade de 90 milhões de utilizadores, 280.000 adicionados por dia, um bilião de page views POR dia e sem estratégia de como conseguir um retorno financeiro digno da audiência atingida.
Para Rupert Murdoch, uma audiência desta envergadura aglomerada SEM marketing algum, ou seja um site produzido sem custos de conteúdo e divulgado de uma forma viral, é um conceito refrescante para uma pessoa habituada a ter que pagar autênticas fortunas por êxitos tal como as séries Simpsons e 24 bem como para ter um canal de noticias tal como a Fox News.
Assim sendo, o campo de jogo está-se a alterar. A nova ordem tem a ênfase na ligação entre as pessoas, mantendo-as suficientemente ocupadas e motivadas para continuarem a produzir conteúdo para elas próprias enquanto se adiciona funcionalidades acrescentando valor à comunidade. A audiência já não está a observar – estão efectivamente a participar. A festa tem que se manter em “piloto automático” até a combinação vencedora entre autonomia e controlo ser encontrada sem que interfira com a comunidade.
MySpace, como muitas outras comunidades on-line, irá proporcionar os seus “guardiões” a identificar novas tendências, micro-nichos, novas palavras de buzz ou conceitos prometedores, produzindo internamente êxitos que com tempo irão ser substituídos por novos êxitos, tudo entre as paredes virtuais da comunidade.
“A cultura popular tornar-se-á mais popular que alguma vez foi” acrescenta o possível futuro rei dos céus e mundo virtual.
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Spencer Reiss July 2006